O legado de Boal 
Porto Alegre é famosa pelo por do sol do Guaíba, pelo Grêmio e pelo calor insuportável que faz no verao. Pois em janeiro de 2001, assim como todos os demais 237 verões da cidade, fazia um calor de derreter o cérebro durante a realização o 1° Fórum Social Mundial, um encontro cosmopolita de gente alternativa e de esquerda (pra resumir a caracterização) do mundo inteiro, em que se discutiu da dança dos índios do Xingu à origem da carne utilizada no BigMac, todo mundo propondo formas para a construção de um outro mundo possível, lema do encontro. Lembro disso porque um dos palestrantes que me fez ir derreter de calor em Porto Alegre, o genial Augusto Boal, morreu no fim de semana passado. Foi o criador do Teatro do Oprimido, um teatro sem dogmas e realizado por meio de um conjunto de exercícios que ensinam o ser humano a utilizar uma ferramenta que ele já possui e não sabe. Ele dizia q o homem ´traz esta característica teatral dentro de si. O que este tipo de teatro faz é liberar esta capacidade e ensinar à pessoa como dominá-la. A pelestra dele, com seu cabelão desgrenhado, foi uma das mais brilhantes do fórum e uma das melhores q assisti na vida. Ele leu a palestra, intrepretando o texto, e fiquei as mais de tres horas de boca aberta, e depois tentei por todas as formas possíveis conseguir uma cópia daquele texto, mas acho que não existe em lugar nenhum no ciberespaço. Eu Já conhecia um pouco o trabalho do cara, mas aquela palestra marcou de verdade.
A patente japonesa do David Coimbra Sempre fui leitor das crônicas do David Coimbra, mas uma leitura imbecil, porque o faço num misto de entusiasmo com revolta. Entusiasmo pelo alcance de seu repertório vocabular e pelo estilo descontraído. Revolta por algumas posições, sobretudo o tratamento dado a elas, as mulheres. Na palestra de terça, entre boas histórias contadas sobre os bastidores de reportagens, como a cobertura da copa no Japão, anotei algumas pérolas ditas por ele à imensa plateia de alunos de comunicação que lotaram o auditório D. Antônio. Vamos a elas: 1. A mídia não forma opinião de ninguém. 2. Para ser jornalista, um arquiteto, por exemplo, pode fazer um cursinho rápido de um ano que estará apto a exercer a nova profissão. 3. Todo leitor é um imbecil.
Sempalavras... Bom, a morte do Boal ressussitou o sempalavras e já tenho outros assuntos pra tratar aqui.
Escrito por Jairo S. às 10h53
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