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| Terça-feira , 01 de Novembro |
O lado de lá

Mortos. E se eu estivesse morto? Poderia estar agora escrevendo um blog psicografado. Poderia observar tudo lá de cima e mandar meu recado via ciberespaço. "Aqui em cima é um inferno...tô derretendo e esse diabo não pára de espetar o tridente na minha bunda", ou "isso aqui é um paraíso, e esses anjos idiotas não param de tocar essa harpa ridícula". Quem comentaria num blog psicografado? Os mortos ou os vivos? Poderia Ter links para um ou para outro. Seria interessante essa troca de experiências inter...inter...inter o quê mesmo? Intermundos? Que seja. Já pensou como seria? Que bobagem...é não Ter o que blogar mesmo. Azar de vocês, meus parcos visitantes.
Continuando...
Finados vem de finar, que tanto pode ser acabar, findar, como ter grande desejo, querer intensamente. É interessante essa dualidade de sentidos. Horrível mesmo é a definição de defunto: "livrar-se de, executar, cumprir, livrar-se de dívida, pagar". Até que faz sentido. E o que dizer da expressão "beber o defunto"? É horrível, mas o significado é interessante. É uma espécie de velório animado, com muita comida e bebida. No México, o Dia dos Mortos é uma das maiores celebrações. Dizem que todos cantam, comem e bebem em homenagem aos mortos. E olha só: A comida mais famosa dessa festa são caveirinhas sorridentes feitas de açúcar ou chocolate e decoradas com brilhos. Cada docinho leva o nome de um parente falecido da família.
Bom, desejo a todos os mortos, um feliz dia de finados. E não façam nada que possam se arrepender depois, quando voltarem.
Ah...a foto é de um agricultor mexicano recolhendo a flor zempoaxochitl -conhecida como a flor dos mortos, na véspera do feriado de Finados. Esta flor é da mesma família das calêndulas e dos crisântemos (roubei do uol, inclusive a legenda)
Escrito por Jairo S. às 21h32
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| Segunda-feira , 31 de Outubro |

Para desespero de nós, pobres, começou mais uma feira do livro. A lista de consumista é enorme, mas o bolso é desproporcional, então, devo ficar com o Saramago mesmo. E só. No livro novo, o velho debocha da morte. Dizem que é um romance bem divertido desse ateu/materialista convicto. "As intermitências da morte" teve lançamento mundial no Brasil (Sampa, claro) e tomara que já tenha chegado aqui no fim do mundo. "nós julgamos, os vivos, que sabemos alguma coisa da morte dos outros. Não chegaremos a saber nada, nem sequer da nossa própria morte. Não creio que venhamos a saber alguma coisa da morte que tenha alguma utilidade para os vivos. Porque, mesmo que soubéssemos tudo a respeito dela, o simples fato de estarmos vivos nos impede de aprender algo que tenha que ver com a morte", disse o velho numa entrevista durante lançamento. Sexta-feira li um livrinho dele, bem interessante: "O conto ilha desconhecida". É bem legal, curtinho e mais uma vez faz uma reflexão da própria condição humana, agora em torno daquilo que desconhecemos.
Falando em velho

Antes do Saramago, Gabriel Garcia Marques. "Memórias de minhas putas tristes". Divertido, irônico, sensível e profundo. Faz uma avaliação da própria vida do ponto de vista de quem está perto do fim mas com capacidade de recomeçar, sonhar e amar. Mais uma deliciosa narrativa do Gabo para celebrar a vida. Valeu pelo presente, Andréia. Iaiá perdeu para a Degaldina.
Aleuia
Finalmente, mesmo aos trancos e barrancos, saiu a festa na Vila Princesa. No fim, saldo positivo,afinal a comunidade, principalmente a criançada, se divertiu muito. Mas tô convencido que organizar festas não é comigo.
Escrito por Jairo S. às 10h18
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